“Se pagar no Pix, tem desconto”: uma frase clássica do comércio e que com certeza será vista aos montes na próxima Black Friday.
Para as instituições financeiras, isso significa que a proteção antifraude precisa se preparar só para esse meio de pagamento? Não necessariamente: a clonagem de cartões tem liderado o ranking de fraudes no Brasil.
O que estamos querendo dizer aqui é que, em períodos de pico transacional, como acontece na Black Friday, uma operação precisa estar preparada para conseguir analisar de forma completa não somente transações isoladas (feitas a partir de diferentes meios de pagamentos), mas também comportamentos, dispositivos e relacionamentos.
Sua operação dá conta de tudo isso? Se a operação antifraude não está em dia, ainda dá tempo de se preparar. E o primeiro passo é seguir com a gente nesse conteúdo para entender:
Vamos lá?
Por que as fraudes aumentam durante a Black Friday?
Por conta do período de grandes descontos, oferecidos por vários comércios ao mesmo tempo, a Black Friday concentra um volume muito maior de compras e transações em um curto período.
Esse aumento na movimentação acaba criando um ambiente favorável para os criminosos, que aproveitam o ritmo acelerado das operações para tentar passar despercebidos e aplicar golpes em larga escala.
É durante os dias de Black Friday que os criminosos têm um facilitador específico: consumidores tendem a agir por impulso por causa das promoções, ofertas com tempo limitado e mensagens de urgência (quem nunca sentiu pressa por causa de um “últimas unidades”?).
Assim, os golpes de engenharia social ganham espaço: links falsos de promoções, lojas fraudulentas, mensagens que imitam grandes varejistas e falsas centrais de atendimento exploram a urgência típica da data para convencer consumidores a compartilhar dados ou concluir pagamentos sem verificar a autenticidade da oferta.
Black Friday em números
Em 2025, apenas nas primeiras doze horas de Black Friday, o e-commerce nacional atingiu um faturamento de R$1,69 bilhão. Colocado em perspectiva, o número impressiona ainda mais: ele representa uma alta de 24,5% em relação ao registrado na primeira metade da Black Friday de 2024.
Houve também uma alta bastante expressiva na quantidade de pedidos: 3,27 milhões, ou melhor, 44% a mais do que no ano anterior. Note que, ao falar de pedidos, estamos também falando de um volume bem alto de transações.
Passando agora para 2024, para colocar esses números em uma perspectiva ainda maior, tivemos uma alta de 8,4% no faturamento em relação a 2023. À época, a quinta-feira (28) que antecede o principal dia da Black Friday registrou um total de R$1,7 bilhões de vendas pelo e-commerce, 5,3% a mais do que no mesmo dia de 2023.
Percebeu que os números só aumentam? Há anos vemos o volume de compras nesta data crescer e a tendência é que essa alta continue. Para a Black Friday 2026, portanto, a expectativa é de um pico transacional, assim como acontece em outras datas específicas do ano.
Quais são as fraudes mais comuns na Black Friday?
Entre as fraudes mais frequentes durante o período de Black Friday, temos:
- Compras com cartões roubados ou clonados: criminosos utilizam dados de cartões obtidos por vazamentos, clonagem ou phishing para realizar compras em e-commerces. Como há um grande volume de transações durante a Black Friday, essas operações podem parecer legítimas em um primeiro momento. Quando o verdadeiro titular identifica a compra, a transação costuma ser contestada, o que causa chargeback e prejuízos para o estabelecimento;
- Fraude de identidade (contas falsas): dados pessoais obtidos de forma ilícita são usados para criar cadastros ou realizar compras em nome de terceiros. Dependendo do processo de validação adotado pela empresa, o fraudador consegue abrir contas, solicitar crédito ou concluir pedidos utilizando a identidade da vítima;
- Autofraude (fraude amigável): nesse caso, a compra é legítima e realizada pelo próprio cliente, que recebe o produto normalmente. Depois, ele contesta a cobrança junto à administradora do cartão ou à instituição financeira, alegando que não reconhece a compra ou que o pedido não foi entregue. Além das perdas financeiras, esse tipo de fraude gera custos operacionais para análise e disputa da contestação;
- Phishing e lojas falsas: criminosos criam sites que imitam grandes varejistas, divulgam anúncios falsos e enviam mensagens por e-mail, SMS ou WhatsApp com promoções inexistentes. Tudo com o objetivo de capturar dados pessoais, credenciais de acesso ou informações de cartões de pagamento, além de induzir vítimas a realizar compras em páginas fraudulentas;
- Golpes via Pix: também é comum que criminosos utilizem ofertas falsas para convencer consumidores a pagar por Pix, muitas vezes prometendo descontos exclusivos para pagamentos instantâneos. Após a transferência, o produto nunca é entregue ou o valor é direcionado para contas ligadas à fraude.
Note que a Black Friday não cria novos tipos de fraude. O que acontece é que o período amplia as oportunidades para que golpes já conhecidos sejam aplicados.
Vale lembrar que embora essas abordagens em si sejam velhas conhecidas de muita gente, o uso de Inteligência Artificial tem tornado esses golpes mais sofisticados: mensagens ficam mais convincentes, sites falsos são mais difíceis de identificar e até vozes e imagens podem ser simuladas para enganar as vítimas.
5 dicas para preparar sua operação para a Black Friday
Primeiramente, é preciso ter um antifraude robusto e preparado para a data antes da Black Friday começar. Para além disso, a melhor maneira de atravessar esse período sem problemas na segurança financeira da sua operação é colocando em prática estas 5 dicas:
- Revise suas regras antes do aumento no volume de transações;
- Tenha uma visão única dos riscos da operação;
- Monitore comportamentos, não apenas transações isoladas;
- Compartilhe inteligência sobre fraudes;
- Prepare sua operação para responder com agilidade.
Vamos entender melhor o que cada uma significa?
1. Revise suas regras antes do aumento no volume de transações
A Black Friday não é o momento para descobrir que uma regra gera falsos positivos ou deixa transações fraudulentas serem aprovadas.
Um antifraude com backtest de regras é a alternativa ideal para simular o comportamento das políticas a partir de dados históricos antes de colocá-las em produção. Dessa forma, é possível ajustar parâmetros e reduzir impactos na operação antes mesmo do pico transacional começar.
2. Tenha uma visão única dos riscos da operação
Quando o volume de transações aumenta significantemente, seja na Black Friday ou em qualquer outro momento específico do ano, se cria um ambiente favorável para tentativas de fraude onde movimentações financeiras suspeitas podem passar despercebidas. Quando cada frente de risco é analisada separadamente, identificar conexões e priorizar investigações se torna mais difícil.
A dica aqui é que reunir informações de diferentes camadas de monitoramento em um único ambiente ajuda os analistas a entenderem o contexto completo de cada caso. Consequentemente, a tomada de decisão fica mais rápida, assim como a resposta aos riscos em um período de alta demanda.
3. Monitore comportamentos, não apenas transações isoladas
Seja usando Pix ou cartões, fato é que, na Black Friday, fraudadores tendem a fazer diversas tentativas de pagamento em sequência, ou a usar contas recém-criadas para movimentar valores rapidamente. Ou seja: se sua operação for avaliar apenas uma transação por vez, esses padrões podem acabar fugindo da sua visão.
Quando o foco passa a ser o acompanhamento de contas, documentos e dispositivos, a operação fica muito mais preparada para identificar recorrências, mudanças de perfil e relações entre eventos que indicam um risco maior de fraude.
4. Compartilhe inteligência sobre fraudes
Um golpe que começa em uma instituição pode ser replicado rapidamente em várias outras. Quando cada empresa atua de forma isolada, os fraudadores conseguem reutilizar contas, dispositivos e outros indícios antes que sejam identificados.
Por isso, compartilhar informações sobre fraudes e consultar dados de outras instituições ganha cada vez mais relevância nas estratégias de segurança financeira. Aliás, esse movimento não é só uma tendência: ele também aparece em iniciativas regulatórias, como a Resolução Conjunta nº 6, que estabelece regras para o compartilhamento de informações sobre indícios de fraude entre instituições.
A lógica é simples: quanto mais informações relevantes forem compartilhadas e consultadas, maior a capacidade de identificar padrões suspeitos, conectar diferentes ocorrências e agir antes que um ataque se espalhe.
Na Black Friday ou fora dela, combater fraudes exige uma visão que ultrapasse os limites de uma única instituição.
5. Prepare sua operação para responder com agilidade
Naturalmente, durante um pico transacional, sobe também a quantidade de alertas que precisam ser analisados.
Se os analistas precisam buscar informações em diferentes sistemas ou executar tarefas manuais para cada investigação, a fila cresce e os casos mais críticos podem demorar para ser tratados.
Automatizar etapas operacionais e centralizar o contexto necessário para a análise em um único ambiente ajuda a reduzir o tempo de investigação e manter a qualidade das decisões mesmo nos períodos de maior demanda.
O que muda na análise de risco durante a Black Friday?
O principal desafio da análise de risco durante a Black Friday é distinguir o que é um comportamento esperado da data do que realmente representa uma fraude.
Afinal, é natural que consumidores façam mais compras durante esse período, ou que utilizem novos estabelecimentos, gastem valores maiores e realizem diversas transações em um curto período.
É por isso que soluções antifraude não podem se basear apenas em regras estáticas, como bloquear compras acima de determinado valor. Idealmente, é preciso considerar também aspectos como:
- Contexto da transação;
- Histórico do cliente;
- Dispositivo utilizado;
- Localização;
- Horário da compra.
Além, é claro, de quaisquer outros sinais que ajudem a operação a diferenciar uma mudança legítima de comportamento de uma atividade criminosa.
Ao mesmo tempo, a decisão precisa acontecer em poucos segundos. Um processo muito rigoroso e lento pode gerar recusas indevidas e prejudicar as vendas, enquanto uma análise permissiva aumenta a exposição a fraudes.
Na verdade, o equilíbrio entre segurança e experiência do cliente passa por modelos de risco capazes de analisar múltiplos fatores em tempo real e adaptar a decisão ao contexto da Black Friday.
Não espere a Black Friday chegar para reforçar a proteção da sua operação
Esperar o pico transacional da Black Friday chegar para reforçar a sua estratégia antifraude pode aumentar o risco da operação.
Afinal, migrar para uma solução mais robusta precisa de tempo para integração, calibração de regras, testes e adaptação aos padrões da sua instituição.
Se todo esse processo acontecer durante o período de alta demanda, em vez de acontecer antes dele, cresce a chance de falsos positivos, fraudes não detectadas e sobrecarga da equipe.
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