Muitas áreas de prevenção de risco enfrentam a mesma dúvida: o que eu devo priorizar no meu sistema antifraude PIX? Desde que o método se tornou a principal forma de pagamentos no país, movimentando só em 2025 mais de R$35,4 trilhões, as instituições financeiras seguem em uma corrida constante para garantir que suas operações de prevenção acompanhem não só a velocidade das transações, mas também a evolução das fraudes neste ecossistema.
Como já comentamos em outros conteúdos aqui do blog, a popularização e as facilidades do PIX não chegaram apenas para favorecer os usuários do sistema financeiro. Elas também se tornaram ferramentas para aprimorar táticas antigas, transformando estratégias, como o phishing e as contas laranja, em peças de um esquema cada vez mais robusto.
Nesse post, vamos responder algumas dúvidas importantes que envolvem a escolha do sistema antifraude ideal, levando em consideração o modus operandi dos golpistas no cenário PIX.
Se a sua empresa está nesse processo, buscando um reforço na segurança das operações, confira as nossas dicas e depois venha conhecer de perto o módulo Antifraude do DeLorean.
Como o sistema antifraude funciona?
O sistema antifraude é o responsável por analisar transações financeiras e bloquear tentativas de fraude antes que a operação seja concluída. Com a combinação de inteligência artificial (machine learning) e um motor de regras flexível, o antifraude analisa os dados históricos de cada usuário, a cada transação, e identifica padrões de comportamento atípicos em tempo real, alertando os operadores de qualquer atividade suspeita.
Além de reagir a ameaças identificadas, ele armazena os dados continuamente, permitindo que o algoritmo possa ser re-treinado com novos padrões a partir das marcações de fraude evidenciadas no sistema, informações de contaminação de mercado e das novas modalidades de fraude que surgem regularmente, possibilitando uma análise cada vez mais precisa e eficaz.
Com as informações coletadas e a avaliação de risco do usuário, o sistema automatiza a tomada de decisão, definindo de forma automática se a transação deve ser aprovada, rejeitada ou encaminhada para a análise manual.
Na realidade das operações instantâneas, isso significa que a capacidade de resposta se torna ainda mais crítica. O sistema antifraude PIX precisa processar todos os fatores de risco e tomar uma decisão em milésimos de segundo, antes mesmo que o usuário confirme o pagamento.
Quais são os desafios do PIX?
No PIX, as mesmas funcionalidades que servem para tornar a vida do usuário mais ágil e prática, são as que facilitam a abordagem dos golpistas. Por isso, o uso do sistema antifraude está tão relacionado à análise de dados sobre o comportamento de cada usuário. Afinal, é isso que distinguirá o que pode ser uma atividade suspeita ou não.
Entenda como as características do método instantâneo se tornam brechas para as fraudes PIX:
- Agilidade: Enquanto as transferências via TED e DOC demoravam horas ou até um dia útil para serem concluídas, o PIX finaliza a operação em poucos segundos. Essa velocidade deixa pouca margem para que a vítima perceba o golpe a tempo, e ainda menos para que a instituição financeira consiga intervir antes que o dinheiro mude de mãos.
- Disponibilidade: O método de pagamento está disponível 24 horas, todos os dias da semana. É possível realizar uma transação a qualquer momento e em qualquer lugar, facilitando a abordagem dos criminosos em momentos inoportunos. Quando uma vítima recebe uma mensagem falsa de emergência de madrugada, por exemplo, as chances de agir por impulso são muito maiores.
- Conveniência: O PIX está integrado aos aplicativos das instituições financeiras. O cadastro não exige os dados bancários do usuário ou a aprovação da instituição. Qualquer pessoa com uma conta no banco pode gerar suas chaves, inclusive os criminosos. É assim que eles criam diversas contas laranja e distribuem os ganhos fraudulentos, eliminando os rastros das transações.
- Custos: Diferente dos métodos antigos, o PIX não exige o pagamento de taxas na maioria das situações. Isso facilita muito para os fraudadores estimularem a impulsividade das vítimas. Em golpes como o “robô do PIX”, em que o criminoso convence a pessoa a fazer múltiplas transações para receber o valor em dobro, a falta de encargos torna a proposta ainda mais atrativa. A vítima sente que não tem nada a perder.
- Acessibilidade: Não é preciso se deslocar presencialmente para realizar uma operação. Basta ter acesso à internet e ao aplicativo bancário instalado no aparelho. Mais um recurso que facilita a abordagem dos criminosos, principalmente em sequestros e roubos de celular. Todas as informações pessoais da vítima são facilmente acessadas pelo celular.
- Adesão: Mais de 900 instituições são autorizadas pelo Banco Central para operar o PIX. Isso garante uma ampla cobertura e possibilita a realização de transações entre diferentes regiões, estimulando a bancarização principalmente em populações afastadas dos grandes centros. É dessa maneira que os fraudadores conseguem acessar pessoas mais velhas ou com conhecimento limitado sobre o método instantâneo, aproveitando-se da falta de informação e da desconfiança da população para aplicar os golpes.
Por que investir em um sistema antifraude?
Depois de entender a fundo como as funcionalidades do PIX podem ser exploradas pelos fraudadores, fica ainda mais claro que a adoção de um sistema antifraude deve ser vista como uma prioridade.
Além de proteger as empresas de possíveis prejuízos financeiros e proporcionar previsibilidade para toda operação PIX, ela desempenha um papel fundamental na construção da reputação organizacional e no relacionamento com o cliente.
Casos de fraude podem abalar a confiança dos usuários e dos parceiros comerciais, afetando negativamente a imagem da organização. Ao investir em um sistema antifraude especializado na complexidade das transações PIX, as empresas demonstram seu compromisso em proteger os dados e as transações de seus clientes.
O próprio Banco Central exige isso das instituições participantes. A Resolução BCB nº 85/2021, que dispõe sobre a política de segurança cibernética e os requisitos para contratação de serviços de processamento e armazenamento de dados, foi atualizada em dezembro de 2025 pela Resolução BCB nº 538/2025, elevando os padrões de segurança exigidos com regras específicas para o PIX.
A demanda por plataformas de prevenção à fraude se faz tão necessária no contexto atual que os próprios bancos brasileiros já reconhecem isso em seus orçamentos.
Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, a segurança foi o pilar que mais cresceu como estratégia de diferenciação entre as instituições financeiras, saltando de 59% para 82% entre 2023 e 2024. De acordo com o levantamento, 94% dos bancos apontam a prevenção à fraude como prioridade estratégica, e 60% já utilizam inteligência artificial para detecção de fraudes em larga escala.
O que mudou com as regulamentações do Banco Central?
Nos últimos anos, o Banco Central tem trabalhado cada vez mais próximo do mercado de prevenção à fraude, apertando o cerco regulatório para quem opera o PIX.
Desde a BCB nº 85, que estabeleceu os primeiros requisitos de segurança cibernética, o regulador foi ampliando o escopo e a responsabilidade das instituições participantes, tornando cada vez mais claro seu posicionamento em relação às fraudes no sistema financeiro.
Um marco importante nessa trajetória foi a Resolução Conjunta nº 6, publicada em maio de 2023. A norma determinou que todas as instituições financeiras e de pagamento compartilhem entre si dados e informações sobre indícios de fraude.
Na prática, isso criou um esforço coletivo de prevenção: se uma instituição identifica uma suspeita, todo o sistema passa a ter acesso a essa informação. Pela primeira vez, o combate à fraude deixou de ser um problema individual para se tornar uma responsabilidade compartilhada, abrindo espaço para um mercado cada vez mais regulado.
Nessa “nova fase” surgiram outras propostas regulatórias, entre elas a Resolução BCB nº 429/2024, fechando a porta para quem operava sem supervisão formal e determinando que apenas instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central podem participar do PIX. Ou seja, mais controle sobre quem entra no ecossistema e, consequentemente, mais responsabilidade para quem já estava nele.
Em setembro de 2025, o Bacen foi além com a Resolução BCB nº 501. O documento determina que bancos e instituições de pagamento devem rejeitar transações destinadas a contas com fundada suspeita de envolvimento em fraude, abrangendo não só as operações PIX, mas também o TED, DOC, boletos e transferências entre contas da própria instituição.
Desta vez, a normativa não apresentou critérios fixos: cada instituição deve definir seus próprios parâmetros de avaliação, reforçando a responsabilidade de cada uma na identificação e bloqueio das contas suspeitas.
Outra que seguiu com o recente pacote regulatório do Banco Central foi a Resolução BCB nº 506/2025, que reforçou os mecanismos de prevenção à fraude e à lavagem de dinheiro, endurecendo as penalidades aplicáveis e tornando os processos mais transparentes.
Juntas, essas resoluções representam uma mudança de postura: não basta mais reagir às fraudes depois que elas acontecem. O regulador está exigindo que as instituições antecipem os riscos, utilizando um bom sistema antifraude como a principal ferramenta para cumprir essa exigência.
Como o MED 2.0 impacta os sistemas antifraude?
Não podemos falar sobre os avanços regulatórios sem mencionar o MED 2.0. O Mecanismo Especial de Devolução existe desde 2021 com o objetivo de facilitar a recuperação de valores em casos de fraude no PIX.
Em sua primeira versão, o bloqueio dos recursos era feito apenas na primeira conta recebedora. O que, depois de anos em prática, se revelou insuficiente: em 2025, a taxa de recuperação efetiva ficou em apenas 9,3% dos valores contestados, já que os golpistas aprenderam a dispersar o dinheiro rapidamente para outras contas antes que qualquer bloqueio fosse acionado.
Foi para corrigir esse gargalo que o Banco Central publicou, em agosto de 2025, a Resolução BCB nº 493, instituindo o MED 2.0. As três principais mudanças são: rastreamento em camadas subsequentes, botão de contestação direto no aplicativo do banco e prazos definidos para análise e conclusão da devolução.
Para os sistemas antifraude, o impacto vai além do que parece. O MED 2.0 aumenta a responsabilidade das instituições sobre o entendimento da própria carteira de clientes e traz também desafios ainda mais complexos.
O primeiro é que o MED em si se tornou uma modalidade de fraude. Golpistas passaram a acionar o mecanismo de forma indevida para tentar recuperar valores de transações legítimas, o que exige que os sistemas antifraude PIX consigam distinguir quais pedidos de devolução são genuínos e quais fazem parte de um esquema.
O segundo desafio é ainda mais delicado: com um rastreamento mais amplo, o sistema precisa identificar quais dessas contas pertencem a participantes do esquema e quais são de usuários legítimos que, sem saber, receberam recursos de origem fraudulenta. Afinal, o dinheiro roubado também circula: o fraudador o utiliza para fazer transações comuns, pagar contas, comprar produtos. Bloquear indiscriminadamente pode significar prejudicar usuários que não têm relação nenhuma com a fraude.
O mecanismo de devolução ficou mais robusto, mas a prevenção continua sendo a linha de defesa mais eficaz. Não basta reagir às notificações, é fundamental antecipar comportamentos suspeitos e entender, com precisão, quais perfis dentro da própria base representam risco real.
É o caso do módulo Antifraude do DeLorean, que apoia o tratamento de MED desde o momento em que os casos são recebidos, trazendo mais clareza e eficiência para um processo que se tornou crítico. A plataforma analisa automaticamente cada caso recebido, atribui um score de probabilidade de legitimidade e prioriza os casos com maior chance de serem genuínos, reduzindo o esforço manual e tornando as decisões mais consistentes e rastreáveis.
Como escolher o sistema antifraude ideal?
Encontrar o sistema antifraude ideal para o seu modelo de negócio não deve ser uma missão impossível, mas com certeza requer atenção. Para garantir não só a segurança das transações, mas a eficiência de toda a sua operação de prevenção à fraude, algumas funcionalidades devem ser priorizadas.
Modelos personalizados
Apesar do PIX ser um método padronizado pelo Banco Central, cada instituição tem suas particularidades, seja na quantidade de dados que armazena, nas informações que coleta ou na forma como organiza as equipes de risco.
Utilizar um sistema com modelos pré-definidos, os chamados modelos de prateleira, pode comprometer a acurácia das análises. O módulo Antifraude do DeLorean treina algoritmos exclusivos com base nos dados reais da sua operação, correlacionando histórico transacional e informações de mercado para identificar riscos com mais precisão.
Análise de risco em milissegundos
No PIX, velocidade não é só uma vantagem, mas sim um requisito. O sistema precisa processar todos os fatores de risco e tomar uma decisão antes que a transação seja concluída. Isso significa que cada aprovação, recusa ou revisão precisa acontecer em tempo real, sem comprometer a experiência do usuário que está do outro lado da operação. Qualquer lentidão pode significar tanto uma fraude que passa despercebida quanto um cliente legítimo que é prejudicado sem motivo.
Regras parametrizáveis
O uso de regras parametrizáveis é o que vai determinar quais serão os fatores de análise dentro do modelo. Em um bom sistema antifraude PIX, a equipe de risco precisa ter autonomia para criar e ajustar regras sem depender de times técnicos.
Isso inclui poder simular cenários, testar estratégias antes de colocá-las em produção e repensar os próximos passos rapidamente quando o comportamento das fraudes muda. Sem essa flexibilidade, a operação fica sempre um passo atrás dos fraudadores.
Interface intuitiva e ambiente no-code
Falando em autonomia, de nada adianta ter um sistema robusto se ele depende de um time técnico para qualquer ajuste. Um bom antifraude PIX precisa ser acessível para as equipes de risco e compliance, monitorar operações, interpretar resultados e estar em conformidade regulatória, sem precisar escrever uma linha de código. Quanto mais autonomia a equipe tiver, mais rápida e precisa será a resposta a novas ameaças.
Arquitetura flexível e integração ágil
A implementação de um sistema antifraude não pode ser um projeto de meses. Busque uma solução que se conecte ao ambiente da sua instituição de forma rápida e sem atritos, mantendo a performance mesmo em cenários de grande volume transacional.
No módulo Antifraude do DeLorean, a conexão acontece via API REST, com estrutura modular e capacidade de recepção de metadados, garantindo que a operação não pare enquanto a integração acontece.
Integração com os dados do mercado
Um sistema antifraude PIX que opera só com os dados internos da instituição tem visão limitada. No módulo Antifraude do DeLorean, os dados da Resolução Conjunta nº 6 (RUFRA) são processados em tempo real e integrados a uma base unificada que combina indícios de fraude compartilhados entre instituições com informações de mercado.
Esse contexto mais amplo permite que o modelo de decisão considere variáveis que vão além do histórico individual de cada conta, identificando riscos que só aparecem quando se olha para o ecossistema como um todo e reduzindo falsos positivos sem abrir mão da segurança.
Transparência e conformidade regulatória
Com o Banco Central exigindo cada vez mais rastreabilidade nas decisões, ter um sistema que registra e justifica cada ação é fundamental. No DeLorean, toda alteração de regra gera automaticamente uma trilha de auditoria com logs detalhados e justificativas das decisões, garantindo que a instituição consiga demonstrar, a qualquer momento, como e por que cada transação foi tratada.
Como prevenir fraudes sem impactar a experiência do cliente?
Como falamos antes, um dos maiores desafios dos sistemas antifraude PIX hoje não é só identificar o risco, mas fazer isso sem prejudicar quem não está relacionado à suspeita. O dinheiro roubado circula, passa por contas de usuários legítimos, financia transações comuns. Bloquear indiscriminadamente é tão problemático quanto deixar uma fraude passar.
Esse é o dilema dos falsos positivos: cada transação legítima recusada é um cliente impactado, uma compra não concluída, uma transferência travada sem motivo. No curto prazo, pode até parecer um custo aceitável, mas quando pensamos na reputação das instituições, sabemos que a confiança influencia diretamente na fidelização do cliente.
Por isso, o contexto e a qualidade do modelo de decisão importam tanto quanto a velocidade. Ter autonomia para ajustar regras conforme o comportamento das fraudes evolui e contar com informações de mercado que ampliam a visão além da própria base são fatores que fazem toda a diferença na hora de distinguir um usuário suspeito de um cliente legítimo que simplesmente fugiu do seu comportamento habitual.
No módulo Antifraude do DeLorean, os algoritmos são treinados com os dados reais da operação de cada instituição, o que permite calibrar o apetite de risco com precisão, sendo mais restritivo onde o risco é alto e mais flexível onde o comportamento é seguro.
O resultado é uma operação que protege sem travar: menos fricção para o usuário, mais barreiras para quem tenta fraudar. Proteger a experiência do cliente, no fim das contas, também é proteger a reputação da instituição. E num mercado cada vez mais competitivo, essa é uma vantagem que não dá para ignorar.
Por onde começar a proteger minha empresa?
A proteção da sua empresa começa com a escolha de um sistema antifraude PIX adequado para as suas necessidades. Agora que você já sabe quais são as funcionalidades que não podem faltar na sua plataforma de prevenção à fraude, conheça mais sobre o módulo Antifraude do DeLorean.
Nosso sistema foi desenvolvido para centralizar o monitoramento de transações por PIX, TED, boleto e cartão em um único ambiente, com algoritmos exclusivos e total aderência às resoluções do Banco Central. Fale conosco e saiba como implementar novas camadas de segurança no seu negócio.



