PIX Parcelado: como preparar sua operação antifraude nesse cenário

Publicado em 13/01/25 | Atualizado em 13/01/26 Leitura: 10 minutos

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PIX Parcelado: como preparar sua operação antifraude nesse cenário

Nos últimos anos, o Banco Central tem promovido uma agenda contínua de evolução do PIX, incentivando não só a segurança dos pagamentos instantâneos, mas também a inovação e a ampliação do mercado. 

Foi assim que surgiram soluções associadas ao PIX, desenvolvidas e oferecidas por bancos, instituições de pagamento e fintechs, mesmo sem uma regulamentação específica do Bacen. Um dos exemplos mais conhecidos é o chamado PIX Parcelado, que começou a ganhar visibilidade em 2024.

Com a movimentação antecipada do mercado e a rápida adoção desse tipo de solução, novos questionamentos ganharam força. Entre eles, os impactos dessa alternativa sobre os meios de pagamento tradicionais como o cartão de crédito, e os desafios adicionais que esse modelo impõe às áreas de prevenção a fraudes e gestão de risco.

Neste post, explicamos o que o mercado chama hoje de PIX Parcelado, como essas soluções funcionam na prática, quais são seus principais diferenciais e, principalmente, como estruturar uma análise antifraude eficiente diante desse novo contexto. Confira!

 

Como o PIX transformou os meios de pagamento no Brasil

O PIX nasceu como modalidade de pagamentos no final de 2020, em meio ao momento mais conturbado da pandemia de COVID-19. Seu principal foco era aumentar as transações financeiras no Brasil e contribuir para todo o processo de digitalização econômica que já vinha sendo explorado nos últimos anos.

Desde então, o aumento no volume de operações dessa modalidade foi exponencial. Em seu ano de lançamento, o Banco Central registrou R$180 milhões em transações instantâneas. Cinco anos depois, e o método segue batendo novos recordes, registrando mais de R$179,9 bilhões movimentados em um único dia.

Desde 2022, o PIX é considerado pelo Bacen a principal forma de pagamento brasileira, mudando o comportamento dos usuários do sistema financeiro e impactando diretamente na adesão aos métodos tradicionais, sendo o uso do papel moeda um dos mais afetados com a digitalização. 

Segundo a pesquisa “Pagamentos em Transformação” realizada pelo Google, o sistema contribuiu para a queda gradual no uso do dinheiro em espécie. O estudo mostra que, de 2019 a 2024, a adesão dos brasileiros ao método de pagamento caiu de 43% para 6%.

Além disso, a modalidade foi uma das principais responsáveis pelo encerramento do DOC, operação que levava um dia inteiro para ser liquidada e ainda envolvia a cobrança de taxas entre R$9,40 a R$19,60.

E, é claro, que as operações de cartão também foram afetadas por essas movimentações. Em 2024, enquanto o PIX cresceu 52% no número de transações, os cartões de crédito avançaram apenas 11%, mostrando uma divisão do mercado de pagamentos. 

A seguir, explicamos como esta evolução impactou na criação de novos produtos derivados do método instantâneo, como o PIX Parcelado. 

 

O que é e como funciona o PIX Parcelado?

Com a consolidação do método instantâneo, o mercado passou a desenvolver soluções complementares que expandem os casos de uso do PIX, principalmente no acesso ao crédito e no parcelamento de pagamentos.

Diferente do que se especulou inicialmente, algumas dessas soluções não foram regulamentadas nem lançadas oficialmente pelo Banco Central, como é o caso do PIX Parcelado. Atualmente, a modalidade funciona como um produto de crédito desenvolvido e operado por bancos, instituições de pagamento e fintechs, sem padronização definida.

Em 2024, o Bacen chegou a incluir o serviço em sua agenda regulatória, mas, após sucessivos adiamentos ao longo de 2025, decidiu acompanhar as soluções desenvolvidas pelo próprio mercado, deixando a padronização da modalidade em segundo plano. A única determinação formal até o momento está relacionada à nomenclatura: os termos “PIX Parcelado” e “PIX Crédito” foram vetados, sendo permitidas apenas denominações alternativas para produtos similares.

Na prática, para utilizar esse tipo de solução, o usuário precisa ter uma conta ativa e uma linha de crédito aprovada na instituição ofertante. No momento do pagamento via PIX, é possível optar pelo parcelamento, enquanto o recebedor continua recebendo o valor integral da transação de forma imediata.

As condições de parcelamento, como número de parcelas, taxas de juros e forma de cobrança, variam conforme a política de cada instituição. O pagamento das parcelas ocorre mensalmente, podendo ser debitado diretamente da conta ou cobrado por meio de fatura.

Confira: 5 recursos essenciais para à prevenção à fraude PIX para sua operação.

O que é e como funciona o PIX Parcelado?

Qual a diferença entre o PIX Parcelado e o cartão de crédito?

Falando em cartões de crédito, como mencionado anteriormente, esse deve ser o método mais impactado pela expansão do PIX Parcelado. 

No e-commerce, já é possível ver esta mudança. O método instantâneo está presente em 100% dos checkouts e, em 2024, já respondeu por cerca de 40% do volume de pagamentos, passando à frente dos cartões de crédito nacionais (34%). 

Com a popularização do serviço de parcelamento, a tendência é que lojistas e usuários optem pela modalidade, principalmente pela acessibilidade e agilidade dos pagamentos. 

Do lado dos comerciantes, a modalidade possibilita maior flexibilidade na gestão de fluxo de caixa e redução de taxas de intermediários. 

Nas vendas por cartão, cada transação envolve o pagamento de taxas para as bandeiras, que podem variar entre 2% e 5% do valor final, além de tarifas adicionais por parcelamento. Já no PIX Parcelado, o lojista recebe o valor integral de forma imediata.

Para os consumidores, o PIX Parcelado representa uma alternativa de crédito digital, facilitando o acesso ao crédito para clientes que, de outra forma, não teriam limites disponíveis em cartões convencionais. A diferença, no entanto, pode estar nas taxas e nos juros. 

No cartão de crédito, as taxas pagas pelo consumidor podem se limitar à anuidade (quando existente), e não há juros se a fatura for quitada dentro do prazo. No serviço via PIX, o consumidor paga juros mensais sobre cada parcela, informados previamente no momento da transação.

Quais são as principais vantagens do PIX Parcelado?

A pesquisa divulgada pela editoria de economia da UOL mostra que 7 em cada 10 brasileiros escolhem pagar parcelado. Mas, quais são as razões para isso?

  • 27% não possuem dinheiro suficiente para pagar à vista;
  • 25% possuem o costume de parcelar quando possível;
  • 25% verificam se há a incidência de juros no parcelamento;
  • 24% afirmam que podem efetuar mais compras nessa modalidade;
  • 23% acham melhor pagar valores diluídos ao longo do tempo.

Além de ser parte da cultura brasileira, a pesquisa também mostra a questão de necessidade, visto que 3 entre 4 pessoas já buscaram crédito em algum momento de sua vida, seja por meio de cartão de crédito (53%), empréstimo pessoal (48%), crédito consignado (21%) ou cheque especial (13%).

Uma pesquisa divulgada pela Exame ainda revela as dificuldades que existem neste processo. Mais de 90% dos brasileiros já sofreram com crédito negado, sendo 43% por score de crédito baixo, 42% por restrições no nome, 11% por não conseguirem comprovar renda, 4% pela falta de carteira assinada e por fim, 1% por não possuírem conta em banco.

O PIX Parcelado surge como um método mais simplificado de bancarização para a parcela de pessoas que têm dificuldades na aprovação de crédito nos bancos tradicionais. O recurso não está condicionado a um limite mensal de gastos, aproximando-o de uma linha de crédito ou empréstimo pessoal. 

Além disso, ele também tem outras vantagens para o ecossistema financeiro:

 

Agilidade na compensação dos pagamentos

O PIX Parcelado conta com a mesma velocidade de um PIX tradicional, o que muda é a forma de cobrança e o parcelamento para o solicitante. Para quem está recebendo o valor, a compensação do pagamento é efetivada em segundos.

Garantia de recebimento do valor parcelado

Independente de quantas parcelas foram efetuadas, o valor cairá integralmente na conta do recebedor – a mesma premissa do cartão de crédito.

Flexibilidade de parcelamento e taxas reduzidas

O usuário pode escolher a quantidade de parcelas, já prevendo a quantidade de taxas aplicadas e o valor total daquela transação.

Segurança antifraude no PIX Parcelado

Até 2021, o cartão de crédito e débito era o meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros. Com o lançamento do PIX, a popularidade das transações instantâneas cresceu rapidamente, mudando também o cenário de fraudes.

Antes, o foco estava na clonagem de cartões, que gerava chargebacks: o cliente contestava a compra, o banco devolvia o valor, e quem sofria prejuízo era o lojista.

No cenário do PIX, os golpistas passaram a explorar a velocidade, a mobilidade e a falta de rastreabilidade das transações instantâneas, usando técnicas como engenharia social e contas laranja para aplicar golpes e fraudes de forma mais rápida e sofisticada.

O PIX Parcelado traz desafios adicionais. Uma das principais bandeiras de fraude é o comportamento atípico do cliente em relação ao seu histórico de compras. Por exemplo: o indivíduo nunca realizou nenhuma compra parcelada, e de repente, aciona todo o limite disponível nesta modalidade.

Os valores fraudados serão mais elevados por conta da possibilidade de parcelamento. Essa será uma vantagem para tirar mais dinheiro da vítima. Além disso, o receptor receberá o dinheiro integralmente e na velocidade do PIX, outro ponto positivo para os golpistas”, explica Beatriz Lima, CDO da Data Rudder.

Plataformas como o DeLorean combatem o risco de golpes no PIX Parcelado aplicando regras parametrizáveis e modelo personalizado, o que auxilia na seleção de casos suspeitos e na reprovação de situações mais críticas. Além disso, os comportamentos atípicos registrados também auxiliam na identificação de contas laranja. 

 

O que esperar para os próximos meses?

Após adiamentos sucessivos ao longo de 2025, o Banco Central optou por não seguir com a regulamentação do PIX Parcelado neste momento. O regulador informou que vai acompanhar o desenvolvimento de soluções semelhantes oferecidas pelo mercado, sem estabelecer um conjunto de normas obrigatórias específicas.

Além disso, o Bacen vetou o uso das expressões “PIX Parcelado” e “PIX Crédito”, mas permitirá outras denominações como “PIX no crédito” ou “Parcele no PIX” para produtos similares oferecidos por bancos e fintechs. Isso significa que cada instituição poderá continuar a ofertar sua versão de parcelamento, com modelos, taxas e condições próprias, sem padronização regulatória.

Enquanto o serviço segue sem diretrizes oficiais, é importante acompanhar outras atualizações do setor, como as mudanças do MED 2.0 e surgimentos de novas normativas como a BCB nº501

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