O dia 11 de maio de 2026 foi marcado pela ativação oficial do MED 2.0 do PIX, mecanismo do Banco Central criado para rastrear e recuperar valores desviados em fraudes e golpes por meio do sistema instantâneo de pagamentos.
Sua primeira versão, o MED, servia para bloquear e devolver recursos em casos de fraude comprovada, mas com uma limitação: o rastreio parava na primeira conta receptora, o que permitia que golpistas movessem o dinheiro para outras contas e escapassem do mecanismo.
O avanço veio não só para elevar a taxa de recuperação dos recursos desviados em situações de fraude, mas também para dificultar e encarecer a prática para os fraudadores.
Neste conteúdo, compilamos todas as novidades sobre o MED 2.0 e como ele faz diferença no ecossistema do PIX:
- O que é o MED 2.0 PIX?
- Como funcionava o MED?
- O que mudou com o MED 2.0?
- Qual a diferença entre MED e MED 2.0?
- O PIX MED 2.0 já é obrigatório para as instituições financeiras?
- Por que o MED PIX foi criado?
- O que o MED 2.0 PIX muda para as instituições financeiras?
- Como fortalecer a segurança de uma instituição para além do MED 2.0?
Vamos lá?
O que é o MED 2.0 PIX?
O MED 2.0 é a segunda versão do Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central, criado para ajudar vítimas de golpes a recuperar valores transferidos via PIX.
Implementado em 2026 e com produção oficial iniciada em 11 de maio do mesmo ano, o mecanismo traz uma evolução significativa na capacidade do sistema financeiro de rastrear e bloquear dinheiro desviado por fraudes.
Nessa segunda versão, a principal novidade é o rastreamento em mais níveis de transferência. Assim, é possível acompanhar o caminho percorrido pelo dinheiro mesmo depois de passar por várias contas.
Vale lembrar que esse avanço também traz a expectativa de que o tempo médio de devolução em casos de fraude confirmada seja reduzido.
Como funcionava o MED?
O funcionamento do primeiro MED PIX era o seguinte: quando uma vítima acionava o mecanismo, a instituição de origem comunicava o banco recebedor em até 30 minutos, e os recursos podiam ser bloqueados (preventivamente) enquanto o caso era analisado.
Lembrando que essa versão inicial do MED foi criada em 2021 para ser um mecanismo formal do Bacen para reversão de valores em casos de fraudes no PIX.
A novidade foi, na época, um marco para a segurança PIX. Ainda assim, havia uma limitação no caminho: o sistema só conseguia acompanhar o dinheiro até a primeira conta que recebia os recursos fraudulentos.
Dessa maneira, se o golpista pulverizasse o valor rapidamente, ou seja, transferisse o valor para outra conta logo em seguida, por exemplo, o rastro se perdia e as chances de recuperação caíam drasticamente.
Para você ter ideia, em 2025, o MED conseguiu recuperar apenas pouco mais de 9% dos valores contestados. Passando agora para fevereiro de 2026, de acordo com o Banco Central, de cada R$100 desviados por fraude no PIX, menos de R$14 voltavam para a vítima.
Isso representa uma taxa de recuperação por volta dos 13,31%, não muito distante dos 9% registrados no ano passado. Aqui, temos números longe do ideal, e é justamente por isso que o MED 2.0 foi criado.
O que mudou com o MED 2.0?
As principais mudanças que o MED 2.0 trouxe para o PIX foram:
- Rastreamento ampliado de contas;
- Bloqueio cautelar de até 72h para valores suspeitos;
- Compartilhamento obrigatório de informações entre instituições em relação ao caminho percorrido pelo dinheiro.
O grande destaque do MED 2.0, é claro, vai para o rastreamento ampliado, que agora não se limita somente à primeira conta recebedora. Inclusive, alguns dos objetivos dessa segunda versão também incluem:
- Aumentar a taxa de recuperação de valores desviados em fraudes e golpes;
- Mapear as contas envolvidas nas transações fraudulentas;
- Elevar o custo operacional (e dificultar a prática) para quem aplica fraudes.
Ainda de acordo com o Banco Central, a maior meta com o MED 2.0 não é necessariamente recuperar mais dinheiro (embora isso esteja no radar, é claro), mas sim dificultar a prática para os fraudadores.
Como cada conta laranja é identificada e marcada como fraudulenta no DICT (Diretório de Identificadores de Contas Transacionais), ficará mais difícil para o fraudador abrir contas novas e continuar operando.
Qual a diferença entre MED e MED 2.0?
Embora as duas versões tenham o mesmo objetivo (recuperar valores desviados por fraudes PIX), diferem significantemente em alcance, velocidade e capacidade de rastreio.
Veja só essa tabela comparativa das duas versões:
| MED | MED 2.0 | |
| Rastreamento | Apenas a primeira conta receptora | Avanço para outras camadas além da primeira |
| Bloqueio preventivo | Após acionamento da vítima | Bloqueio cautelar de até 72 horas |
| Compartilhamento entre bancos | Limitado | Obrigatório para o trajeto completo |
| Prazo de devolução | Variável, geralmente longo | Cerca de 11 dias em fraude confirmada |
| Taxa de recuperação | 9% dos valores identificados | De acordo com o Bacen, a ideia é chegar em 80% |
O PIX MED 2.0 já é obrigatório para as instituições financeiras?
Sim, o MED 2.0 se tornou obrigatório para as instituições participantes do mercado financeiro (PSPs) ainda em fevereiro de 2026. Essas PSPs passaram por um período de testes e de transição, que acabou em 11 de maio, quando o modelo foi oficialmente ativado.
Segundo comunicações do Banco Central, a produção inicial do MED 2.0 começou com apenas 5% das recuperações passando pelo rastreio ampliado. O percentual, porém, deve subir ao longo do tempo até chegar em 100% das recuperações completamente mapeadas, em 11 de junho de 2026.
Por que o MED PIX foi criado?
O MED PIX foi criado para responder a um problema que crescia junto com o próprio PIX: o volume de fraudes e golpes que usavam o sistema de pagamentos instantâneos como meio de movimentar dinheiro ilícito.
Como o sistema disponibiliza transações 24h por dias, liquidadas em segundos, o PIX acabou virando uma janela de oportunidade para golpistas que precisavam mover valores rapidamente e sem rastreamento.
E olha só que interessante: de acordo com os dados do Data Report PIX da Data Rudder, 80% das pessoas entrevistadas consideram o PIX confiável, mas 70% também percebem o crescimento nos golpes envolvendo o sistema.
Antes da criação do MED, as vítimas dessas fraudes via PIX tinham poucos recursos formais para tentar recuperar os recursos desviados, e o mecanismo veio para preencher essa lacuna.
De acordo com Rafaela Helbing, CEO da Data Rudder, o MED 2.0 representa um avanço importante, embora ainda não seja uma solução definitiva. “Os fraudadores não dependem apenas de contas laranja; eles usam transações lícitas para disfarçar o dinheiro. O desafio será diferenciar o que é fraude do que é uma transação comum.”
Ela explica: “O indivíduo pode ter cometido uma fraude, e logo em seguida, realizar uma transação legítima. A pessoa na outra ponta, que vendeu um produto ou prestou um serviço, recebe este valores ilícitos, mas não faz parte do esquema. Com o MED 2.0, essa recebedora também correrá o risco de ter sua conta bloqueada e o dinheiro devolvido, o que pode se tornar um grande ponto de fricção para todo ecossistema financeiro.”
Com a ativação oficial da segunda versão do modelo, até o fim de 2026 o mercado terá uma visão mais clara de como o MED 2.0 se comporta e se os desafios como o risco de bloqueio de recebedores legítimos vão se confirmar ou ser contornados pelo próprio funcionamento do sistema.
O que o MED 2.0 PIX muda para as instituições financeiras?
Para além de uma exigência regulatória, bancos e fintechs devem aproveitar o MED 2.0 como uma ferramenta estratégica para fortalecer a confiança dos clientes e reduzir riscos financeiros.
Além disso, vale lembrar que as mudanças no mecanismo de devolução do PIX também aumentam a responsabilidade das instituições sobre o entendimento da própria carteira de clientes.
Ou seja, não basta apenas reagir às notificações de fraudes: também será necessário antecipar comportamentos suspeitos e identificar, dentro da própria base, quais perfis representam maior exposição ao risco.
Aqui, estamos falando de cruzar informações transacionais com variáveis de mercado, para que se releve onde realmente a fraude se origina, e não só onde ela é detectada.
Como fortalecer a segurança de uma instituição para além do MED 2.0?
Além de cumprir com a obrigatoriedade do MED 2.0, é preciso investir em monitoramento contínuo, tecnologia de rastreio, integração de dados e processos internos robustos.
No fim das contas, o futuro da segurança do PIX será definido também por quem estiver um passo à frente dos fraudadores, e isso demanda tecnologia, cooperação e capacidade de transformar dados em decisões inteligentes.
Para agir rapidamente e conseguir diferenciar transações legítimas de fraudulentas, você pode contar com o Antifraude PIX, um módulo do DeLorean, solução da Data Rudder.
Com ela, você tem em mãos uma ferramenta especializada em transações instantâneas, capaz de identificar as tentativas de fraude com a mesma agilidade e praticidade de uma transferência via PIX.
Na dúvida, agende uma demonstração para saber mais.